Resumo

O programa Copernicus, de observação da Terra da União Europeia, está desenvolvendo seis missões de expansão dos satélites Sentinel. Elas são construídas por parceiros europeus, entre eles a Agência Espacial Europeia (ESA) e a EUMETSAT (Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos), e servem para preencher lacunas nas necessidades dos usuários do programa. A primeira missão é esperada para 2026, e as demais entram em operação ao longo da década.

O que são as missões de expansão

Hoje o Copernicus é atendido por seis famílias de satélites — as Sentinel — desenhadas para os serviços do programa. As missões de expansão não substituem essas famílias: elas ampliam a capacidade do que já existe, cada uma resolvendo um problema específico de medição.

MissãoPara que serveLançamento previsto
CO2MEmissões humanas de CO₂, CH₄ e NO₂2026 (CO2M-A e CO2M-B)
CRISTALEspessura de gelo marinho e altura de geleiras2027
CHIMEImagens hiperespectrais (+200 bandas)2028 (A) e 2030 (B)
LSTMTemperatura da superfície terrestre2028
ROSE-LRadar em banda L, todo tempo2028
CIMRRadiometria de micro-ondas (gelo, SST, salinidade)2029 (A) e 2031 (B)
Datas informadas pelo programa Copernicus. Cronogramas de missões espaciais mudam com frequência.

CO2M: medir emissões humanas do espaço

A missão CO2M (Copernicus Anthropogenic Carbon Dioxide Monitoring) será a primeira da série. Envolve dois satélites, CO2M-A e CO2M-B, com lançamento esperado para 2026 — e há a possibilidade de uma terceira unidade, sujeita à disponibilidade de financiamento, que melhoraria a probabilidade de detectar grandes emissores, como usinas de energia.

Os satélites devem operar por sete anos e meio em órbita heliossíncrona a 735 km de altitude, carregando três instrumentos: o espectrômetro de imagem integrado de CO₂ e NO₂ (CO2I), um imageador de nuvens de três bandas (CLIM) e um polarímetro multiangular e multibanda (MAP).

Os satélites não trabalham sozinhos. Um serviço chamado CO2MVS (CO2 Monitoring and Verification Service), implementado dentro do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus (CAMS), combinará as observações de satélite com medições em solo e modelagem para distinguir emissões humanas de fontes naturais, como plantas e animais. O objetivo declarado é permitir avaliar de forma transparente quais nações estão no caminho das metas do Acordo de Paris.

O que mais chama atenção para quem usa dados

Duas missões merecem atenção especial de quem trabalha com análise espacial:

  • ROSE-L traz radar de abertura sintética (SAR) em banda L, com resolução de 5 a 10 metros. Diferente da banda C do Sentinel-1, a banda L penetra o solo em profundidades variáveis conforme a condição do terreno. Na prática, isso melhora o monitoramento de geoperigos, o acompanhamento de uso do solo e a medição de umidade do solo em alta resolução — e funciona sob qualquer condição de tempo, inclusive com nuvens.
  • CHIME adiciona imageamento hiperespectral: mais de 200 bandas no visível, infravermelho próximo e infravermelho de ondas curtas, com resolução de 30 metros e revisita a cada 11 dias. Complementa o Sentinel-2 e permite caracterizar cobertura do solo com um detalhamento espectral que hoje não existe de forma sistemática e aberta.
  • LSTM mede temperatura de superfície com resolução de 50 metros e revisita de 1 a 2 dias, pensada para apoiar produtividade agrícola sustentável e adaptação à variabilidade climática.

Por que isso importa no Brasil

Aqui é preciso ser preciso para não induzir ao erro: estas são missões da União Europeia, com objetivos e políticas europeias. Nada disso é um programa brasileiro nem está disponível hoje — são satélites em desenvolvimento.

Ainda assim, o impacto é real, ainda que indireto. O acervo Copernicus/Sentinel é de acesso aberto e já é amplamente utilizado no Brasil em monitoramento ambiental, agricultura e gestão territorial. Se os cronogramas se confirmarem, quem trabalha com dados geoespaciais no país passa a ter, sem custo de licença, capacidades que hoje só existem em sensores comerciais caros ou em campanhas pontuais — sobretudo radar em banda L e hiperespectral.

O contraponto honesto: anúncio não é implementação. Cronogramas espaciais atrasam com frequência, e a própria terceira unidade do CO2M depende de financiamento. O que existe hoje é um plano com datas divulgadas pelo programa — não uma capacidade disponível.

Comparação útil O Copernicus caminha para ampliar o acervo aberto de observação da Terra. Nos Estados Unidos, o programa Landsat passa por movimento diferente: o orçamento federal reestruturou a missão que daria continuidade à série. Entenda o caso do Landsat.

Próximos passos

O marco a acompanhar é o lançamento do CO2M, previsto para 2026 — e, com ele, a entrada em operação do serviço CO2MVS no CAMS. Depois, a sequência prevista é CRISTAL (2027), CHIME, LSTM e ROSE-L (2028), CIMR-A (2029) e CIMR-B (2031). Esta notícia será revisada quando houver confirmação de lançamento ou mudança de cronograma anunciada pelo programa.

Nota editorial. Todas as informações técnicas e datas vêm da publicação oficial do programa Copernicus (União Europeia), citada abaixo. Tratam-se de missões em desenvolvimento, com cronogramas sujeitos a alteração — nenhuma capacidade descrita está disponível hoje. Não citamos fornecedores nem valores contratuais. Texto original em inglês, traduzido e contextualizado pela redação; siglas foram mantidas em sua forma oficial e explicadas na primeira utilização.

Fontes e referências

  1. OBSERVER: Advancing Earth Observation with the Copernicus Sentinel Expansion Missions — Copernicus (programa de observação da Terra da União Europeia). Publicação oficial do programa · União Europeia · inglês · consultado em 14 jul 2026. Sustenta: a existência das seis missões, os parceiros (ESA e EUMETSAT), todos os cronogramas, altitudes, resoluções, instrumentos do CO2M e o serviço CO2MVS. copernicus.eu
  2. Copernicus — visão geral do programa — Agência Espacial Europeia (ESA). Agência espacial · Europa · inglês · consultado em 14 jul 2026. Sustenta: o enquadramento institucional do Copernicus e das famílias Sentinel. esa.int