Resumo

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou em 24 de fevereiro de 2026, às 10h, em sua sede em Brasília, a Plataforma Parque Cafeeiro. É uma ferramenta pública e gratuita, desenvolvida para certificar o café brasileiro como livre de desmatamento e atender às exigências do mercado internacional, especialmente da União Europeia. A iniciativa foi realizada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O que a plataforma faz

Segundo a Conab, a plataforma garante rastreabilidade da produção, integração com bases governamentais e monitoramento por satélite — três elementos que, juntos, permitem responder a uma pergunta objetiva: aquele café veio de uma área que não foi desmatada?

O sistema permite a emissão de declaração de conformidade ao Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido pela sigla EUDR (do inglês EU Deforestation Regulation, regulamento europeu de desmatamento). A norma europeia exige comprovação de origem em áreas sem desmatamento após dezembro de 2020. A plataforma também verifica informações ambientais e territoriais, buscando alinhamento às normas nacionais e internacionais.

A cerimônia de lançamento contou com o presidente da Conab, Edegar Pretto, a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, e o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro.

Por que isso é geotecnologia aplicada O Parque Cafeeiro é um exemplo direto do que a análise espacial faz de melhor: cruzar onde está a lavoura com o que aconteceu naquele polígono ao longo do tempo, usando imagens de satélite, e transformar esse cruzamento em um documento com valor comercial. Não é um mapa para consulta — é um mapa que emite declaração.

Contexto: o que é o EUDR e por que o Brasil precisou se mexer

O EUDR é uma regulamentação da União Europeia que condiciona a entrada de determinados produtos no bloco à comprovação de que não vieram de áreas desmatadas depois de dezembro de 2020. O café é um dos produtos afetados, e o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais.

Antes de ferramentas como essa, comprovar origem dependia de processos fragmentados e de documentação de difícil verificação. A resposta brasileira foi construir uma infraestrutura pública de dados espaciais capaz de fazer a checagem de forma sistemática, em vez de deixar cada produtor ou exportador resolver isoladamente.

Uma observação importante de escopo: a plataforma não altera o regulamento europeu nem garante, por si, aceitação automática no bloco. Ela produz a declaração de conformidade prevista — a decisão sobre exigências e enforcement continua sendo da União Europeia.

Impacto

Os efeitos práticos alcançam grupos distintos:

  • Produtores e cooperativas de café: ganham um caminho público e gratuito para comprovar conformidade, reduzindo o custo de acesso ao mercado europeu — especialmente relevante para quem não teria estrutura própria de rastreabilidade.
  • Exportadores e importadores: passam a contar com verificação apoiada em bases oficiais e satélite, o que dá mais previsibilidade à operação.
  • Outras cadeias do agronegócio: aqui está o ponto estratégico. O EUDR não trata só de café. O modelo — polígono + série temporal de imagens + integração com bases oficiais + emissão de declaração — é replicável para outras cadeias sujeitas a exigências semelhantes.
  • Setor público e empresas de tecnologia: é um caso concreto de política pública construída sobre dados geoespaciais, com parceria universidade-governo.

Separando fato de interpretação: que a plataforma existe, é gratuita e emite declaração de conformidade ao EUDR são fatos informados pela Conab. Que ela vá ampliar a competitividade do café nacional é o objetivo declarado pela companhia — resultado que só poderá ser avaliado com o tempo.

Próximos passos

A plataforma segue em operação e recebendo atualizações: a Conab apresentou novidades no mapeamento durante a 29ª Expocafé, em Minas Gerais. O que acompanhar daqui em diante: a evolução da cobertura do mapeamento, a adesão de produtores e exportadores, e eventuais mudanças nas exigências ou nos prazos do regulamento europeu. Esta notícia será revisada caso haja alteração relevante no EUDR ou no escopo da plataforma.

Nota editorial. Esta notícia se baseia no comunicado oficial da Conab, que é um aviso de pauta — ou seja, anunciava o lançamento marcado para 24/02/2026. A operação efetiva da plataforma foi confirmada por publicação posterior da própria Conab sobre atualizações apresentadas na 29ª Expocafé e pela existência do sistema no domínio oficial. Não reproduzimos material promocional nem citamos empresas privadas da cadeia. O termo EUDR é explicado na primeira utilização, e o número do regulamento europeu é informado para permitir verificação direta.

Fontes e referências

  1. Parque Cafeeiro: Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento — Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Empresa pública federal · Brasil · português · publicado em 23/02/2026 15h39, atualizado em 24/02/2026 08h53 · consultado em 14 jul 2026. Sustenta (fonte primária): data e local do lançamento, caráter público e gratuito, parceria com a UFMG, rastreabilidade, integração com bases governamentais, monitoramento por satélite, declaração de conformidade ao Regulamento (UE) 2023/1115 e a exigência de origem sem desmatamento após dezembro de 2020, além dos nomes dos participantes. gov.br/conab
  2. Conab apresenta atualizações no mapeamento da Plataforma Parque Cafeeiro na 29ª Expocafé — Conab. Empresa pública federal · Brasil · português · consultado em 14 jul 2026. Sustenta: a continuidade da operação e a atualização do mapeamento após o lançamento. gov.br/conab — Expocafé
  3. Plataforma Parque Cafeeiro — Conab. Sistema oficial · Brasil · português/inglês · consultado em 14 jul 2026. Sustenta: a existência e o acesso público à plataforma. sistemas.conab.gov.br